Luto e alívio

Dia dos Pais foi meio vazio. Passei em minha cidade natal depois de um adeus ao único avô que conheci: vô Élice de Melo. Seu Élice. Lice. Um avô típico, de bigode, chapéu e pancinha. De tirar longos cochilos no sofá e de gostar de ouvir Roberto Carlos.

Um ano doente e em tratamento contra o câncer. Mesmo não tendo jeito, fizeram o que se podia. Mas não quero falar dos seus últimos meses de morte. E sim, dos seus fortes anos de vida.

Dizem ser dele a inteligência dos netos, felizes no que fazem com letras, números ou fórmulas químicas. No meu caso, herdei as pernas arqueadas e o amor incondicional por bichos (tá, esse último é de todos também). Curioso que era a única pessoa da vida a me chamar somente pelo segundo nome: Carolina. Carolina do Brasil.

Lembrança de vô tem gosto de infância. Dos cruzeiros pra comprar bala na mercearia do seu Sinfrônio, do abacate amassadinho com açúcar que só ele sabia fazer, de subir na laje pra apanhar goiaba – sim, na laje – e esperar setembro pra colher amora no pezinho. E tem também o Natal, época de sair com o vô  e o serrote pra arranjar a árvore.

Vôzinho. A cada beijo no rosto retribuía com um “brigado”, como se carinho fosse lá algo pelo que agradecer. Gostava de Coca-Cola, de sorvete e de agrados. Era de praxe levar uma coisinha gostosa pro casal de velhinhos, fosse empadinha ou qualquer outro salgadinho feito na hora pela amiga da mãe. “Toma papai. Esse é seu e esse é da mamãe, pra não ter briga”. Sempre achei lindo ver minha mãe e seus irmãos chamá-lo assim. Papaaaaaaai!

Tinha hábitos boêmios. Trocava o dia pela noite e, fosse qual fosse o evento, sempre chegava atrasado. Só aceitou a carequice obrigado, em seus últimos meses. Até então, puxava o que tinha atrás pra frente e prendia com grampo, num ritual de beleza mais demorado que o de qualquer perua. Figura!

Há uns anos, ganhou do Jôta (Jônatas para os menos íntimos), primo mais velho, um terno. E pra não perder a elegância, usava nas ocasiões que podia: dia dos pais, Natal, dia dos pais de novo. Lia compulsivamente. Com oportunidade, teria sido grande professor. E como gostava de ensinar, falava por demais. Afinal, tinha sua cota de palavras pra “gastar” por dia. Eu bem deveria tê-lo ouvido mais.

Era chegado num jogo do bicho e tinha mania de contar passos. “Carolina, daqui até sua casa são x passadas largas”. E assim a gente achava graça.

Não vou me esquecer de nossa despedida, que a gente nem sabia que era, mas era. Tem pouco mais de duas semanas. Ele perguntou por mim enquanto eu estendia roupa. “Ana Carolina, vem cá que o vô tá te chamando”, gritou minha mãe. Eu fui, sentei perto dele. “Que foi, vôzinho?”. Ele me olhou um tempinho e disse o mais doce: “bonita!”. E assim foi que me elogiou pela primeira e última vez. E foi assim que não nos vimos mais.

Dói que ele não está mais com a gente, que não vou chegar na porta de sua casa e ouvir seu “oi” comprido, mas sou grata por todas as histórias leves e gostosas que sempre me fazem lembrar o quanto cresci no meio de tanta simplicidade e alegria. Que a gente nem precisa de muito pra ser feliz. Não vê-lo sofrendo conforta a mim e a todos que o amam. E já não me preocupo porque sei que, onde está, não há mais limite de palavras… Nem de passos. E também garanto que não está mais careca!

Até mais, vô!

Novidades com abraço!

Hoje a moça aqui é só felicidade. Acaba de chegar da Espanha uma encomenda deliciosa que atende pelo nome de irmã. A parte de mim que é assim, mais racional, menos coração mole. Já dei uns apertos e umas risadas e guardei um pouco da saudade pra matar no fim de semana.

Enquanto isso, vamos às novidades aqui no blog.

Bem, a primeira delas: se você der um passeio pela barra direita, vai ver os títulos dos blogs que mais leio.

Todos os dias, quando chego ao trabalho, eu preciso de ao menos 15 minutinhos para cuidar das minhas coisas e me preparar para o dia. Essa preparação inclui a leitura de textos e a corrida de olho por imagens que vão me trazer a inspiração para todos os outros afazeres. Isso, pra mim, é tão fundamental quanto o café da manhã. Dia em que eu inicio o trabalho sem uma passadinha no reader não é a mesma coisa.

Quem tem o hábito de ler blogs sabe que nunca se clica nas mesmas páginas. Uma conduz à outra, que conduz à outra, que conduz à outra e assim por diante. Aí estão a maioria da minha lista, mas há inúmeros outros bacanas.

Outra novidade é que agora o blog tem uma fan page, hohoho! Tenho que confessar que eu morria de vergonha de aderir a outras redes porque, como nunca fui muito frequente nos posts, os acessos também não são lá aquela coisa que se diga “nossa, como é bombante o blog da Ana”, rs. Mas como a gente tem que sonhar grande, bora continuar o investimento rumo à perda da timidez virtual. Pra curtir, é só clicar no botãozinho ali do lado, ó.

E só pra concluir, já que hoje foi dia de reencontro e de abraço, uma das minhas pinturas + textos favoritos.O abraço - Pablo Picasso

“(…)Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

 Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.”         Martha Medeiros

Há alguns anos vivi em Ouro Preto

Meu primeiro contato com Ouro Preto aconteceu em outubro de 2007, bem diferente de como ocorre com a maioria dos mineiros. Não foi em excursão de escola, não foi em algum dos carnavais da vida nem em prova de vestibular, mas numa entrevista que culminaria em meu segundo emprego.

Frio na barriga, expectativa… Pela quarta vez, em um ano, eu me mudava de cidade. E pra uma cidade da qual nada conhecia. Por ironia, era a única da família que nunca tinha ido a Ouro Preto. Sorte que a madrecita, como em todos os momentos, estava comigo. Subimos e descemos ladeira até encontrar a senhorinha que me alugaria o quarto e sala da salvação, já mobiliado. Pronto, podia iniciar o trabalho!

E assim comecei a descobrir Ouro Preto.

Para os turistas que ali visitam, Ouro Preto é história, arquitetura, romance, poesia, restaurantes aconchegantes, comida mineira, namoradeiras na janela, artesanato em pedra sabão, pedras preciosas, Museu da Inconfidência, Praça Tiradentes, festivais diversos…

Para os estudantes que ali passam alguns anos, Ouro Preto é trote de república, social, rock, CAEM, festa do 12, alugar casa em carnaval,  chapação  e, claro, UFOP…

Para mim, entre tantas outras coisas, Ouro Preto é:

O primeiro pôr do sol inteiramente visto ao som de REM, caminhadas circulares pela praça da UFOP, sapatilhas antiderrapantes nas pedras traiçoeiras, blusa de lã bolorenta, almoço em PFs, sinos despertando aos domingos pela manhã, missa aos domingos à noite, trabalho no festival de inverno, petit gateau da fábrica de chocolate, happy hour no Biz & Biu, trabalhos da (1ª) pós-graduação, despertador às 5 da manhã aos sábados, intensivo de Rocky Balboa (6 filmes em uma semana), filmes da Set palavras, panqueca do Sótão, estandartes no local de trabalho, feijoada do Manjuba às quartas, frio durante a noite, caldo de feijão na Paula, melancolia em dias chuvosos…

A oportunidade de viver como “habitante” fez de Ouro Preto uma cidade diferente pra mim. Um lugar cenário da fase mais intensa e perturbadora ao longo desses 27. Foi em Ouro Preto que vivi o início e o fim da experiência de uma vida a dois. E por mais que não tenhamos controle sobre o futuro, é e sempre vai ser muito estranho pensar que, por querer ficar junto, eu indiquei meu então namorado para a vaga de trabalho com a qual ele perderia a vida um tempo mais tarde.

Estive na cidade um dia depois do acidente, para encontrar a amiga-irmã que tínhamos em comum e seguir para Muriaé, sua cidade natal. A cada passo, sentia como se uma faca de mil pontas perfurasse meu coração, sem exageros. E tinha prometido a mim que jamais voltaria àquele lugar.

Mas quem já viveu em Ouro Preto sabe que ali não se escolhe ir ou não, é a cidade que escolhe te chamar. É algo que não se explica, há tentáculos invisíveis que te puxam e te levam. E assim eu fui criando coragem, até decidir que eu precisava caminhar por aquelas ruas e tirar de mim tudo de ruim que eu carregava. Então, no último fim de semana, chamei uma amiga, peguei o carro e fui.

E foi reconfortante!

Eu pude me lembrar do quanto a cidade é linda e possui um jogo de luz naturalmente encantador. Em Ouro Preto não se precisa de filtros nem de câmeras ultra modernas. Qualquer ângulo, qualquer cantinho rende uma boa fotografia. As pessoas que por ali andam são despretensiosamente sofisticadas e não há local inapropriado para uma boa leitura, um bom café ou uma boa conversa. Um clima cosmopolita que não se encontra em outras cidades de Minas. Ao contrário da depressão previamente calculada por quem conhece minha história, senti a paz que eu tanto precisava. Não foi sem razão que a cidade havia me chamado.

Foi bom voltar e recordar que eu vivi ali, que fiz parte daquele lugar e que toda sua atmosfera também faz parte de quem eu sou hoje. Que, no final das contas, as coisas aconteceram como tinham que acontecer e remoer o que passou só serviria para mais sofrimento.

No último final de semana, reconciliei-me não com Ouro Preto, mas comigo mesma, ao aprender que quaisquer lembranças, sobretudo as boas, serão eternas em mim, não nas cidades.

Ouro Preto é bem mais que um retrato na parede. E já não dói. Que bom!

(…) e que escrever me alivia!

Não! Não vou justificar esse hiato com a falta de tempo. Isso é chato e não é desculpa só minha. Tempo anda sendo artigo de luxo pra todo mundo. A bem da verdade, nem cabe aqui essa questão, pois já faz uns meses que deixei de falar “nós” para voltar a falar “eu”, o que se traduz em domingos 78% mais longos e algumas noites vazias. Só aí tem brecha pra um monte de posts.

Tenho sentido uma crescente vontade de escrever. Mas pra montar as palavras de forma consistente, preciso buscar a clareza de ideias, uma cadência que dê sentido ao que é pensado. Senão fica só um amontoado de letras.

De qualquer forma, vou fazer o exercício.

Há algumas semanas, decidi que meu tempo livre seria sabático. Precisava me organizar internamente, tomar fôlego, pensar um pouco em mim e em tudo o que eu quero daqui pra frente. E no que eu quero com o que eu quero. E no que eu não quero (com o perdão da confusão).

Acredito que é sempre bom dar vez pra esse tal de autoconhecimento. Na verdade, é fantástico, mágico! É no conhecer-se que a gente descobre pedacinhos escondidos, quietos ou adormecidos. Que a gente, de repente, enxerga um lado meio rebelde, que não aceita mais ou menos, nem pouco, nem talvez. Que a gente aprende que é forte e que, no fim das contas, dá conta de tudo, mesmo achando que não dá. Que a gente olha pra trás e vê que já passou por poucas, boas e ruins e, ainda assim, está de prontidão pro que há de vir.

Uma tarefa diária e que sempre rende novidade. Todos os dias, eu descubro algo diferente a meu respeito. Às vezes bom, às vezes não e às vezes no tanto faz. Pretendo manter essa janela aberta, pois é no conhecer-me que eu aprendo a dialogar com uma outra Ana, que eu me acolho e, principalmente, aprendo a me aceitar e a me proteger.

E depois de tanto olhar pra dentro, sinto que estou pronta de novo. Inspirada para as coisas bonitas que vejo todos os dias. Tenho pensado muito no blog e no que eu pretendia quando o criei. Apesar de não me limitar a um só tema, acho que preciso de um norte, de uma linha que vá conduzindo os assuntos. Ainda estou meio perdida quanto a isso, mas sei que vou encontrar um jeito. E também aceito sugestões (hello friends!).

Bom, acho que por hora é só… Alívio! Faltou um final melhorzinho, mas como tá frio e meus pés gelados estão me tirando a concentração, fica pra próxima. O importante era não postergar o post! 😉

Imagem daqui.

Sobre namorar – parte 2

Agora a responsabilidade é grande. Depois do texto de Artur da Távola, espero que o meu faça jus aos cliques por aqui, rs.

Continuando…

11 anos e alguns namorados depois (não entremos em detalhes, já que a moça aqui é de coração suburbano generoso) eu até posso dizer que quase me profissionalizei no assunto: uma namoradeira. E aí vem o que aprendi com isso tudo.

Em primeiro lugar, só consegue namorar alguém quem já descobriu o quanto pode ser delicioso namorar a si mesmo. Quem não liga de ir ao cinema sozinho, encara bem um domingão à noite e é capaz de passar duas horas preparando sua refeição predileta, ainda que sem companhia para o almoço. Traduzindo: só consegue namorar alguém aquele que sabe que o amor próprio vem sempre em primeiro lugar. Outro clichê mais que verdadeiro.

E aí, namorar alguém:

É deixar de dizer eu para dizer nós, com tudo que isso implica. É acreditar que nesse mundo louco, em algum lugar, tem alguém em sintonia com você, que te conhece e sabe que você não gosta de atrasos na TPM – e em qualquer dia –, nem de mentiras, nem de desculpas esfarrapadas, mas que você adora chocolates-surpresa e que seu mau humor só vai durar os 20 primeiros minutos do filme.

Namorar é presentear o outro inesperadamente. Em uma terça qualquer comprar um travesseiro porque o descanso alheio também se torna importante. É estar P* da vida, e ainda assim, querer saber se o outro se deu bem naquela entrevista de emprego, se arrasou na apresentação do curso ou se o trabalho deu certo.

Namorar é mudar de cidade pra ficar junto, ou então enfrentar horas de viagem de ônibus só pra passar outras tantas com o outro. É esperar ligação e mandar e-mail fora de hora. É topar ficar em casa porque um dos dois não tem grana suficiente para sair. Ou então, bancar o outro com boa vontade, porque a gente sabe que, em tempos difíceis, o mais importante é não perder a diversão.

Namorar é esperar por almoços de domingo, é respeitar o sono do outro (e às vezes não, mas ainda assim por uma boa causa). É acordar junto e achar o outro lindo quando acorda, seja ao meio dia ou às cinco da manhã.  É fazer planos de futuro próspero, de viagens longas e de nome dos filhos. É se preocupar porque o outro não fez aquele exame de saúde prometido, pedir que ele não corra ao volante ou evite falar ao celular, para não se distrair.

Namorar é trocar, com gosto, as multidões de Carnaval pela companhia de uma só pessoa. É não dar a mínima para o temporal que não cessa, porque quem importa está ali com você. É olhar uma vitrine e imaginar o quanto o outro ficaria bem com aquela camisa. É levar um brigadeiro da festa porque ele adora. É lembrar num gosto, num cheiro ou numa imagem.

Namorar é esperar, com os olhos brilhando, no aeroporto, na rodoviária, na porta da farmácia ou da padaria. É pão com canela no papel alumínio ao abrir a porta. É conseguir conversar por horas comendo sanduiche de trailer ou cachorro-quente de carrinho.

Namorar é lembrar em casa e lembrar no trabalho. É falar para os amigos o quanto você tem sorte por ter alguém que te faça feliz.

Faz parte de namorar discutir, ficar de mal, dramatizar… Faz parte de namorar fazer as pazes. E também faz parte de namorar reconhecer a hora de deixar que o outro siga sem você, com a tranquilidade de quem contribuiu, da melhor forma, para que em algum momento ele pudesse caminhar sozinho, ou com outra pessoa.  Porque nem todos os namoros são eternos, e há que se conviver com isso. Ou não haverá como namorar…

Se você namora ou já namorou alguém, provavelmente terá outros tantos tópicos para incluir neste texto. A gente sabe que nem sempre é fácil, mas não há dúvidas de que está entre as melhores coisas do mundo.

E se você não namora alguém, namore-se. Aproveite o tempo livre com que a vida tem te presenteado. Ouça as suas músicas favoritas no volume máximo, bagunce o quarto sem medo e faça tudo de que mais gosta. Não precisa desespero… Quando for a hora, você simplesmente estará pronto(a) para mudar o status.

Porque mais cedo ou mais tarde, todos descobrem o gosto de namorar…

Feliz 12 de junho!

Transição

Quando penso que as coisas estão se acalmando, o acaso me vira do avesso. São tantas causas, casos e pessoas que o blog mais uma vez foi pra escanteio. Mas logo passa.

O motivo? Bem…

Após três anos como assessora de comunicação do colégio, fui promovida à coordenadora de comunicação de toda a rede, que tem cinco escolas no Brasil. Nem é preciso dizer o quanto isso me deixou feliz e com aquela sensação de ter escolhido a profissão certa pra minha vida. O desafio, no entanto, é grande, o que consome tempo e energia. E apesar de gastar com gosto, há toda uma nova rotina com que me adaptar.

Paralelamente a isso, resolvi que quero ser uma coroa enxuta e saudável. E para cumprir esse objetivo de longo prazo, seria preciso que agisse já. E é o que tenho feito. Spinning num dia, musculação no outro, esteira no outro… Estou virando uma ratinha de academia!  Assim… Tanta boa vontade é porque o santuário da saúde está literalmente ao lado do prédio em que moro. Não há desculpas!

E há mais uma série de coisas acontecendo. Pra elas, porém, eu deixo apenas uma das minhas músicas favoritas, que já diz muito por mim. O vídeo também! : )

P.S: Eu queria ter feito um post mais romântico, mas estou no momento ruim da bipolaridade que se instalou em mim hoje. Desejos de retorno em breve!

A casa é nova!

Das cores quentes para as frias. Um ano e meio após a tímida estreia, resolvi que a casa da Dona merecia algo novo… Se nem eu continuo na mesma casa, por que o blog continuaria o mesmo?

Troquei meu papel de parede. Mas o novo continua com um ar antiguinho, do jeito que eu gosto. É novo, também, o estofado da minha poltrona, mais escuro que o anterior.

Eu também não sou a mesma de antes. Acumulo mais dores e tristezas do que gostaria. Em compensação, aprendi a desfrutar de pequenas felicidades ao longo dos dias. Ou será que já sabia?! Aprendi mais coisas, recebi mais pessoas em minha vida e dificilmente me sinto sozinha. No fim das contas, sou de sorte, muita sorte!

Das tags, saem os óculos de grau, já que meu astigmatismo retrocedeu. Entram os cochilos fora de hora, o molho pesto, o sorvete de pistache, o açaí com morango e o Facebook (vício cruel).  As músicas continuam muitas. Repertório que só aumenta.

Também permanece o drama, apesar de ter colocado um pouco mais de racionalidade nas coisas. E a vontade de falar? Essa só aumenta.

Algumas coisas nunca mudam. A xícara de café, por exemplo. Além de vício, café me inspira a aconchego e conforto. Com uma xícara de café nas mãos, sinto que os problemas se esvaem e uma vozinha no meu ouvido diz: “não se preocupe, tudo vai ficar bem”.

Os planos são muitos. As vontades também. E é como uma nova fase que começa, cheia de possibilidades…

Então… Entre e fique à vontade. A casa também é sua!

Beijo da Dona!

A mulher poderosa

No último fim de semana, tomada por uma decepção amorosa daquelas, uma das companheiras de república resolveu “mudar”. Ao visitá-la no quarto, ela mostrou um livro desses de autoajuda, ilustrado com uma bota na capa, se eu bem me lembro, e com um título que dizia um pouco mais, mas tinha no meio ou no final o termo “mulher poderosa”.

E agora, em qualquer conversa, eu sempre ouço: “não, amiga, a mulher poderosa não faz isso”, ou “a mulher poderosa não tem esse tipo de pensamento”. “Agora sou a mulher poderosa”. O termo tem sido tão pronunciado que, quando eu ouço, já começo a rir. E fico pensando nessas fórmulas fáceis que alguns(as) autores(as) encontram para ganhar dinheiro com esse tipo de literatura.

Mas o fato em si me fez pensar e perder o sono. Então, recordando as mulheres da minha vida, cheguei à conclusão de que, com livro ou não, eu só conheço “mulher poderosa”.

A começar pela minha mãe, que até sei lá que idade dividia a cama de solteiro com o irmão e que passou a adolescência vendendo frutas no balaio e arrumando os armários das tias por alguns trocados. Hoje, tem três filhos criados, e bem criados, diga-se de passagem. Fomos despachados de casa aos 18 para estudar, não engravidamos, não nos viciamos em drogas e sempre tomamos conta do nosso copinho de bebidas na balada.  Cada um segue sua vida do jeito que escolheu. Quer poder maior que esse? Saber que há três crias bem educadas e bem resolvidas por sua conta?

Outra poderosa é a minha chefe, a diretora do Colégio onde trabalho. E ela é tão poderosa que, em agosto do ano passado, foi encarregada de dirigir a unidade do Rio em conjunto com a de BH, até que as coisas se resolvessem por lá. E imagine o que é passar seis meses em ponte aérea, ficando dois dias úteis aqui e três fora.  Nada fácil, ainda mais quando se tem mais de 60. Só com muito poder.

A Naelza, que limpa minha sala, é poderosíssima. Ninguém consegue deixar tudo tão cheiroso quanto ela. Impecável. Quando sai de férias, fico louca. Sem contar o café vespertino que faz com que a cozinha esteja lotada todos os dias às 14h em ponto. É poder demais.

Minhas amigas são T-O-D-A-S poderosas. Está cada uma em um lugar diferente. Mulheres que não tiveram medo de se jogar nesse mundão, de correr atrás dos sonhos, de arcar com a distância da família, de buscar a felicidade que não tem receita. Ovelhas desgarradas e independentes. Haja poder…

E aí vêm esses livros que, no final das contas, só fazem deixar as mulheres mais reféns do sexo oposto, 100% racionais, quase com uma lobotomia reversa. Neles, é possível encontrar frases de todo tipo. A mulher poderosa não transa na primeira noite. E quando transa, consegue ser indiferente. A mulher poderosa não demonstra afeto, não chora de amor e não fica esperando ligação. A mulher poderosa sabe conquistar um homem, porque o segredo é não correr atrás. A mulher poderosa faz isso, aquilo e aquilo outro… Ora bolas, que mulher poderosa precisa ler essas baboseiras? Diz aí?

Estamos há tanto tempo lutando por liberdade, respeito e reconhecimento e de repente chegam esses manuais tentando uniformizar comportamentos que tanto quisemos que fossem individuais, opcionais e por conta própria. Não há fórmulas prontas, receitas de bolo nem nada que seja capaz de deixar uma mulher tão poderosa quanto o seu direito de escolha. E isso inclui tombos, choros, frustração porque aquele emprego não deu certo, decepção com aquele cara que parecia ser finalmente o tal “big one”, aceitação de que maternidade, hoje em dia, é vocação, e mais inúmeras coisas pelas quais faz parte da vida pagar o preço.  E só pra concluir, convenhamos, em tempos de best sellers vazios, poderosa de verdade, só aquela que consegue ser ela mesma, né não?!

E eu conheço muitas, ainda bem!

A todas as poderosas que passam por aqui, um feliz Dia Internacional da Mulher!

Vá com Deus, 2011!

Ok! Admito. Posterguei este post até os 45 do segundo tempo. Falta pouco para 2012. Mas como quero iniciar um novo ano sem olhar pra trás, preciso escrever sobre tudo o que me ocorreu nos dois meses em que o blog esteve sem textos, sem imagens e sem qualquer música. Afinal, isso aqui é mais pessoal que qualquer outra coisa…

Sobre perder…

Em novembro, recebi uma das notícias mais tristes que poderia ter recebido na vida. Meu ex-namorado Ronaldo, um grande amigo e colega de faculdade, perdeu a vida em um trágico acidente de carro. Chocada, vi-me obrigada a dar adeus à única pessoa com quem vivi em dupla. Doeu. Dói. E todos os dias me pego pensando no quanto é difícil lidar com a morte e com a partida de pessoas tão importantes em nossas vidas.

Nossa cultura ocidental é paupérrima nesse sentido. Sabemos que a única certeza da vida é a morte. Ainda assim, ela representa um tabu, algo impensável e inimaginável. Todos os dias, ouvimos a notícia de que fulano abotoou o paletó, cicrano partiu dessa para uma melhor, beltrano descansou… E mais inúmeros eufemismos que na verdade só querem dizer: game over! Acabou! Nunca mais! A partir de agora, sem mais telefonemas no aniversário, sem mais reencontros, sem mais recados nas redes sociais, sem mais risadas e sem mais um monte de coisas que só aquela pessoa nos proporcionaria.

A morte nos coloca, então, diante de duas saídas. A primeira é acreditar que realmente é o fim de tudo. Aquele papo de que do pó viemos e ao pó retornaremos. Não são poucas as pessoas que veem nossa função na terra como única e exclusivamente orgânica. Conheço, respeito e convivo com muitas.

A segunda saída é a crença no transcendente e no fato de que estamos todos vivendo em escalas de evolução. Pode parecer loucura acreditar que há uma intervenção Divina em cada movimento do universo e de que a vida não acaba aqui, mas é a saída pela qual eu opto desde sempre.

Sobre aprender…

A lidar com a saudade, sentimento urgente. Sabemos que saudade é fruto de boas lembranças ocasionadas por laços invisíveis que criamos uns com os outros.  E aí vem a grande lição de tudo, a de que tudo o que deixamos de mais precioso aos que ficam está na memória.

Lembrar o Ronaldo é lembrar o riso, a alegria, o bom-humor e a diversão. É lembrar o sarcasmo inteligente, a economia às vezes exagerada, o raciocínio rápido e a prolixidade intencional. É lembrar funk e sertanejo, poesia em letra de axé e organização extrema. É lembrar cuidado, dedicação e lealdade. É lembrar um monte de coisas ruins e vê-las como infinitamente pequenas diante de tantas coisas boas. É lembrar foco! E é lembrar que, em 26 anos, uma pessoa conseguiu deixar lembranças que outras não deixariam em 80.

E isso, convenhamos, é o mais importante. Não serão as compras da última viagem, não será o carro zero que você pagou à vista nem o seu computador de última geração. Será o bom dia, o sorriso fora de hora, o abraço de consolo, as palavras de distração e mais aquilo que seja capaz de fazer alguém sentir saudade. Portanto, que não guardemos palavras, que sejamos afetivos com as pessoas que amamos (e com as que não amamos também), que contemos até 10 antes de deixar escapar qualquer ofensa (preciso) e que saibamos lidar com a efemeridade de vida. Até porque, nunca sabemos quando será a última vez, né não?!

E vida que segue…

Sobre nascimentos… E sobre o Natal!

2011 foi ano de perda, mas também de nascimentos. O primeiro veio em abril. Um sobrinho lindo do namorado, meu emprestado, que tem olhos redondos de jabuticaba e que sorri a cada vez que ouve minha gargalhada. O segundo veio em outubro, de uma irmã de coração que hoje habita as terras frias do sul do Brasil. Já vi de Batman e Papai Noel e morro de amores cada vez que recebo uma foto por e-mail.

Crianças são expectativas de renovação. E ter visto o menino Jesus nascer mais uma vez, em dezembro, especialmente neste ano, encheu ainda mais meu coração de esperança.  Apesar de tudo o que aconteceu, tive muito pelo que agradecer.  E tive muito a dizer àqueles que me foram tão especiais e prestativos nos últimos 12 meses. Eis a época em que embrulho, com satisfação, todos os presentes que compro e/ou faço para as pessoas queridas.

Sobre o cumprimento de mais uma etapa…

Em dezembro encerrou-se mais uma etapa da minha vida. Concluí meu curso de pós-graduação quase como um maratonista que chega em último lugar na corrida,  mas concluí. E saber que cheguei ao fim de algo a que me propus  em 2011 é outro motivo de satisfação.

Conheci pessoas que certamente me acompanharão pelo resto da vida. Amigos com os quais pude estudar, rir, chorar, trocar bilhetes, fazer dança da cadeira e jogo da verdade, beber, conversar e me divertir até dar dor de barriga. Inesquecíveis.

Sobre a necessidade de grana extra…

Em um post lá dos primórdios contei que, durante e época da faculdade, eu fazia bijuterias para vender para as amigas. Depois de cinco anos adormecido, resolvi despertar o ofício na tentativa de faturar um $ extra para o fim de ano. Deu certo. Foram algumas noites em claro produzindo colares e mais colares. Fiz as tags, imprimi etiquetas com os preços e dá-lhe coragem para mostrar as peças. Sorte que mulheres não andam faltando em minha vida. A intenção era ter fotografado tudo e criado uma página especialmente para as bijus, mas em razão de todos os acontecimentos, acabou não sobrando tempo. Mas sobrou um colarzinho pra contar história. Ó só!

Sobre a próxima aventura…

Também em um post (não com as mesmas palavras), eu contei que minha irmã havia se mudado para a Europa para um intercâmbio entre universidades. E tcharan… Estou de férias e de malas semiprontas para embarcar para a primeira grande aventura das irmãs Possas.

As passagens estão compradas desde agosto, mas minha supersticiosidade só me deixou contar agora. Depois de tudo, o que eu mais precisava era mesmo de um tempo fora. Curtir a hermanita e conhecer lugares e culturas diferentes estão na minha lista de coisas que fazem a vida valer a pena. Na próxima terça-feira, embarco para a Espanha, que é onde ela está.  E de lá iniciamos nossa mochilada por alguns países. Se der, vou contando por aqui…

Sobre a importância de amar em paz…

Há quase dois anos e meio, o destino me presenteou com a sorte de um amor tranquilo (Cazuzeando). E depois dessa turbulência de coisas que aconteceram em 2011, eu devo admitir que o “dramômetro” alcançaria  índices muito superiores se eu não tivesse alguém que compartilhasse tudo comigo. Tenho que agradecer a Deus e a meus amigos, mas também tenho que agradecer ao Fabio, namorado e autor do nome deste blog, pelo companheirismo de todos os momentos. Pela compreensão da minha perda em uma situação tão delicada como a que vivi; pela coragem em encarar a galeria do Ouvidor em época de Natal; pelas noites de 12 horas de sono ininterruptos sem incômodos; pela ajuda com a mudança de apartamento; e por milhares de outras coisas que não mais caberiam aqui. Amar alguém, de fato, só pode ser fazer bem. E ser amado também!

Sobre o próximo ano…

Não quero promessas, não quero muitos planos nem expectativas. Quero as sensações inéditas, o entusiasmo pelo que não conheço e as surpresas dos próximos dias.

Quero apenas momentos leves, mais abraços apertados e diversão a todo o tempo.

E quero que, para você, seja assim também.

Feliz 2012!

Ufa! Acho que falei tudo! : )

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