31 coisas para fazer… Antes de fazer aniversário!

Tenho que confessar uma coisa: nunca fui de acreditar em astrologia. Talvez eu nem acredite ainda. Se os astros agem sobre mim, saboto todas as características mais impuras do meu sígno. Uma escorpiana bem de meia tigela.

Acreditando ou não, as previsões do meu mapa astral para os 27 se confirmaram: um ano mais leve, apesar das perdas, sem muitas cobranças pessoais, de maior desapego financeiro, com muitas viagens curtas e a criatividade aguçada.  Um ano de ascendente em gêmeos, sígno responsável pelo meu “equilíbrio” em 2012.

Quando penso que os 28 já estão vindo, fico assustada com a rapidez com que a vida está correndo. Ao mesmo tempo, posso dizer que vivi 10 anos em um, tamanha a movimentação de tudo. Na minha cabeça, semana passada foi há uns três anos, rs.

E aí que já falta quase um mês para o meu aniversário. Período em que, astrologicamente, eu vivo meu inferno astral (ui).  E nesta semana eu me toquei a respeito de um monte de coisas que comecei a fazer e não terminei. E me toquei a respeito de um monte de coisas que eu queria fazer e nem comecei.

Fiquei pensando, pensando… Até decidir lançar um desafio para minha pessoa: concluir 31 questões pendentes antes de fazer aniversário. Fiz um cálculo mirabolante (rs) de modo que, começando o projeto hoje, eu terminaria no dia 26 de outubro, véspera de completar as primaveras. Pra eu ter um réveillon, assim, bem resolvido.

Então que vai ser um desafio duplo: o de concluir as pendências e o de postá-las diariamente. Como viajo a trabalho depois de amanhã, o nível de dificuldade da lista desta semana está bem simples, mas vamo que vamo!

Pendência 1: Trocar as imagens do mural-varal.

Ano novo, mural novo!

E só pra dar uma bossinha…

Cumprida!

 

Por outras lentes: 11 dicas preciosas de “A Parisiense”

O guia de estilo de Ines de la Fressange.

Isso tem acontecido cada vez mais frequentemente. Eu penso em pauta pro blog, mas enrolo tanto pra publicar que, quando eu vejo… Prunft, já está em outra página. Decidi que, quando isso acontecer, em vez de deixar de escrever, o título apenas virá com a frase: “por outras lentes”.  Até porque, um mesmo assunto pode ter múltiplas abordagens, né não?! #palavradejornalista

Ontem, navegando pelo blog da Maria Filó, vi exatamente os tópicos que estão na minha cabeça desde o final de semana, quando li o livro em questão. Aliás, agradeço à Silvia, amiga daquelas que presenteia espontaneamente e que nunca erra nas escolhas.

Ainda pretendo falar mais sobre o livro. Mas o que quero comentar agora diz respeito às 11 dicas que a autora dá para que a mulher fique sempre bela. Penso que elas servem para os homens também.

Vamos lá!

Ser asseada (o). Ser limpinha(o), bem cuidada(o). Parece óbvio, mas minha experiência de morar com tantas mocinhas provou que nem sempre isso é colocado em prática.

Ser cheirosa(o).  Gosto tanto do assunto “cheiros” que ainda quero escrever sobre isso. Tenho a estranha (nem tanto) mania de respirar fundo quando passo perto de alguém que parece ter um cheiro bom. Adoro cheiros. E aprendi que um bom perfume ou creme hidratante tem um super poder de levantar a autoestima. Claro que num país tropical como o Brasil – sobretudo nesta semana – nem sempre é fácil manter um cheirinho gostoso, mas que é bom ficar perto de gente cheirosa é.

Ter dentes bonitos. Fazer limpeza de tártaro regularmente. Rs, dispensa comentários.

Sorrir. Pra mim essa é muito fácil. Quem me conhece sabe que dou risada até pro poste. E um sorriso deixa qualquer um mais receptivo. Prefiro as pessoas que sorriem.

Ser indulgente. Em minha opinião, o mais difícil. Saber desculpar as pessoas é um dom, sobretudo num cenário de relações descartáveis e confiabilidade zero no qual vivemos. Liberta-se aquele que perdoa o próximo.  Fica mais leve, portanto, mais belo.

Ser descontraída(o) e esquecer a idade. É engraçado como cada vez mais as pessoas querem simular de fora uma juventude que não condiz com a experiência que carregam dentro de si. Pessoas preocupadas com a idade são mais estressadas. E, sinceramente, não conheço nenhuma intervenção bem sucedida no quesito. Portanto, melhor mesmo é deixar essa coisa de idade pra lá.

Ser mais simpática(o) e mais tranquila(o). Uma relação interessante, já que nem sempre mau humor tem relação com antipatia, mas com tensão. As pessoas estão mais tensas e sérias. E isso destrói a beleza de qualquer um.

Ser menos egoísta. Vejo que pessoas que pensam muito em si são mais infelizes – e mais feias – porque geralmente acreditam que o mundo gira em torno delas. Quer desilusão maior? Nada melhor que ter a noção de nossa pequenez. Que a qualquer momento podemos sumir e que tudo que vai ficar são as coisas boas que deixamos às pessoas.

Estar apaixonada (o) por um homem/mulher, um projeto, uma casa. Isso tem o efeito de um lifting. Quando em Sevilla, a cigana me perguntou se eu estava apaixonada, eu respondi: sempre!  A gente precisa colocar paixão em tudo. E sempre ter algo pelo que se entusiasmar.

Só fazer o que tem a ver com a gente. A perfeita atitude Zen. Essa a gente só aprende com o tempo… Já perdi a conta de quantas baladas erradas, dinheiro desperdiçado e noites em claro eu tive para não desapontar os outros. Isso, claro, na adolescência (talvez até na faculdade). Hoje, porém, raramente hesito em dizer “não” quando percebo que a coisa não tem nada a ver comigo.

Aceitar que existem dias ruins. E aproveitar os dias bons! É aquela história da frase que serve para todas as ocasiões: “isso também vai passar”. E passa mesmo!

Agora uma fala sobre as imagens, gentilmente cedidas pela amiga Mariana Lopes, alfabetizada na França e, por isso mesmo, dona de uma postura toda “parisiense”. As fotos foram tiradas há um tempo pela Taciana Iizuka, hoje dona da TI Fotografia.

Detalhes que têm (a nossa) história

“No que vale a pena mesmo gastar é com coisas para sua casa, até porque, com o mundo cheio desse jeito, qualquer fim de semana é um estresse com engarrafamentos etc., e a melhor coisa do mundo, cada vez mais, é ficar em casa.”

Essa foi uma das frases que mais me chamou a atenção quando li  “É tudo tão simples”, de Danuza Leão. São raros os lugares por quais eu troco a minha casinha, principalmente o meu quarto. O quarto é o lugar onde repomos nossas energias e, por isso mesmo, penso que deve ser o melhor refúgio do mundo.

No entanto, sites, blogs e fan pages estão aí para provar que a gente não precisa gastar muito pra deixar um ambiente mais aconchegante, mais a nossa cara. E é aí que entram os detalhes… Aqueles que só a gente tem e que são como elementos visuais da nossa biografia.

Faço questão de manter esses detalhes: livros, latas, canetas… Quando convivemos e cultivamos relações com pessoas que nos conhecem bem, elas geralmente sabem daquilo de que gostamos. E quase nunca erram. Há também as viagens que fazemos (ou que fazem pela gente) e que sempre nos dão algo pra lembrar. E é tão bom!

Eis alguns dos meus detalhes:

Garrafa de Mate Cola que o pai do Fabio trouxe do Norte de Minas, há mais de ano. Na verdade, são várias as garrafas. Ele tinha que devolvê-las, mas elas estão bem guardadinhas para um projeto. Fiquei com dó de tirar o rótulo. O girassol também tem história…

Caixa feita por um tio avô, já falecido, e dada a mim para que eu guardasse “minhas coisas de jornalismo”. Ela hoje abriga material de costura. Desculpa, tio Sula!

Livros que uma super amiga emprestou pra eu entender minhas enxaquecas e energizar minha alma através do ambiente.

Livro que o Fabio me deu, no Natal de 2010, para eu me inspirar com as imagens.

Brasília azul do meu cuore. No momento, minha maior coleção é de livros lidos pela metade. No entanto, se eu tivesse espaço, colecionaria miniaturas de carros. Gosto mais delas que dos de verdade.

Um pouquinho da visita que a irmã fez a Londres.

Porta-lápis trazido de uma viagem de trabalho ao Maranhão. Também abrigo de chaves de fenda, pinceis, canetas pra tecido e souvenir da Galinha Pintadinha.

Lata vermelha. Trazida da Alemanha por um ex-namorado que se lembrava da minha paixão por chocolate com café. Depois foi pras aulas de desenho de moda comigo e até hoje abriga pontas de lápis para o sombreamento que eu nunca aprendi.

Lata azul. Presente da moça mais “crazy” que já conheci. Morou comigo três meses e depois sumiu no mundo. Guarda altos aviamentos.

E eu tenho mais um monte desses. Mas aí já é demais. Queria saber de você. Que detalhes têm a sua história? 🙂

Detalhes que sorriem

Janeiro de 2012. Catedral de Notre Dame, Paris:

Senhorzinho piadista: ¿Qué hay en el centro de Paris?

Irmã: ¡No lo sé! ¿Notre Dame?

Senhorzinho piadista: ¡La erre! Jajajajaja… Hay que ponerle un poquito de humor, ¿no?

E assim o turista espanhol fazia as brincadeiras, provavelmente para se distrair durante as visitas guiadas pela cidade luz. O que ficou, no entanto, foi a frase: “hay que ponerle un poquito de humor”, não só porque é uma frase bonita de se dizer e de se ouvir, mas porque é uma verdade para todas as situações…

O trabalho está cansativo… Hay que ponerle un poquito de humor, ¿no?

A relação está desgastada… Hay que ponerle um poquito de humor, ¿no?

A casa está séria demais… Hay que ponerle um poquito de humor, ¿no?

E enfeitar com alegria é enfeitar com humor. É dar um pouco mais de vida ao que já é funcional.

Poderia ser só um marcador de livro…

Poderia ser só um saca-rolha…

Poderia ser só uma xícara…

Poderiam ser só colheres de pau…

Poderia ser só um abajur…

Poderia ser só um porta-lápis…

*Imagens: Reprodução (logo subo com os créditos)

E na sua casa? Em que você costuma por um pouco de humor?

Setembro de parede nova!

É, minha gente, estamos em setembro! Isso significa muitas coisas. Uma delas, que já vai fazer um ano que eu me mudei de apartamento. As promessas de casa arrumada continuam não cumpridas, mas aos poucos a gente vai dando um jeito.

A sala ainda não tem cortina nem móveis direito, mas já tem uma parede nova. Olha só!

Sem segredos. Martelo e prego para os mais pesados e fita dupla face para os mais leves.

Exceto as letras e o quadro de rolhas, tudo foi feito por aqui. 🙂

Atualização: até o quadro de rolhas foi feito aqui. Só não tem o passo a passo. Quem pegou o blog andando, dá pra ver os artesanatos aqui, aqui, aqui e aqui.

Luto e alívio

Dia dos Pais foi meio vazio. Passei em minha cidade natal depois de um adeus ao único avô que conheci: vô Élice de Melo. Seu Élice. Lice. Um avô típico, de bigode, chapéu e pancinha. De tirar longos cochilos no sofá e de gostar de ouvir Roberto Carlos.

Um ano doente e em tratamento contra o câncer. Mesmo não tendo jeito, fizeram o que se podia. Mas não quero falar dos seus últimos meses de morte. E sim, dos seus fortes anos de vida.

Dizem ser dele a inteligência dos netos, felizes no que fazem com letras, números ou fórmulas químicas. No meu caso, herdei as pernas arqueadas e o amor incondicional por bichos (tá, esse último é de todos também). Curioso que era a única pessoa da vida a me chamar somente pelo segundo nome: Carolina. Carolina do Brasil.

Lembrança de vô tem gosto de infância. Dos cruzeiros pra comprar bala na mercearia do seu Sinfrônio, do abacate amassadinho com açúcar que só ele sabia fazer, de subir na laje pra apanhar goiaba – sim, na laje – e esperar setembro pra colher amora no pezinho. E tem também o Natal, época de sair com o vô  e o serrote pra arranjar a árvore.

Vôzinho. A cada beijo no rosto retribuía com um “brigado”, como se carinho fosse lá algo pelo que agradecer. Gostava de Coca-Cola, de sorvete e de agrados. Era de praxe levar uma coisinha gostosa pro casal de velhinhos, fosse empadinha ou qualquer outro salgadinho feito na hora pela amiga da mãe. “Toma papai. Esse é seu e esse é da mamãe, pra não ter briga”. Sempre achei lindo ver minha mãe e seus irmãos chamá-lo assim. Papaaaaaaai!

Tinha hábitos boêmios. Trocava o dia pela noite e, fosse qual fosse o evento, sempre chegava atrasado. Só aceitou a carequice obrigado, em seus últimos meses. Até então, puxava o que tinha atrás pra frente e prendia com grampo, num ritual de beleza mais demorado que o de qualquer perua. Figura!

Há uns anos, ganhou do Jôta (Jônatas para os menos íntimos), primo mais velho, um terno. E pra não perder a elegância, usava nas ocasiões que podia: dia dos pais, Natal, dia dos pais de novo. Lia compulsivamente. Com oportunidade, teria sido grande professor. E como gostava de ensinar, falava por demais. Afinal, tinha sua cota de palavras pra “gastar” por dia. Eu bem deveria tê-lo ouvido mais.

Era chegado num jogo do bicho e tinha mania de contar passos. “Carolina, daqui até sua casa são x passadas largas”. E assim a gente achava graça.

Não vou me esquecer de nossa despedida, que a gente nem sabia que era, mas era. Tem pouco mais de duas semanas. Ele perguntou por mim enquanto eu estendia roupa. “Ana Carolina, vem cá que o vô tá te chamando”, gritou minha mãe. Eu fui, sentei perto dele. “Que foi, vôzinho?”. Ele me olhou um tempinho e disse o mais doce: “bonita!”. E assim foi que me elogiou pela primeira e última vez. E foi assim que não nos vimos mais.

Dói que ele não está mais com a gente, que não vou chegar na porta de sua casa e ouvir seu “oi” comprido, mas sou grata por todas as histórias leves e gostosas que sempre me fazem lembrar o quanto cresci no meio de tanta simplicidade e alegria. Que a gente nem precisa de muito pra ser feliz. Não vê-lo sofrendo conforta a mim e a todos que o amam. E já não me preocupo porque sei que, onde está, não há mais limite de palavras… Nem de passos. E também garanto que não está mais careca!

Até mais, vô!

Piquenique + jazz

Um dos eventos de que mais gosto em BH está chegando: o Festival I Love Jazz.  Gosto da música, do ambiente, de observar as pessoas estilosas…

Ano passado, uma amiga resolveu fazer sua despedida pré-intercâmbio no último dia do festival, domingo. A coisa toda foi tão legal que, mesmo sem despedida, vamos repetir o encontro.

E já que é ao ar livre, fica o convite pra quem é de BH e quiser passar por lá. Vai ter toalha xadrez, conversa boa e, se o tempo permitir, até um solzinho se pondo. Só levar sua bebida e belisquetes.  Domingo, 05/08,  a partir das 17h, na Praça do Papa.

A programação completa você encontra aqui.

DIY para iniciantes: os instrumentos (1)

Disso sim posso falar que sou adepta desde criancinha: projetos estilo “faça você mesmo”.  Ah, como é gostoso passar um tempo inventando moda, seja ao som de uma boa música ou assistindo à novela ao telejornal. O tal do “eu que fiz” oferece uma satisfação de proporções inigualáveis. Além do mais, puxei esse lado da minha mãe, de sempre pensar que não devemos terceirizar aquilo que podemos fazer melhor. Sem contar o lado relaxante da coisa toda.

Sempre gostei dessa seção das revistas. E sempre é o primeiro link que clico quando descubro um blog novo, seja de moda ou de decoração. Na verdade, a qualidade dos projetos faz com que eu continue ou não a ler o blog. É o meu critério, rs.

Acredito que o bacana do “faça você mesmo” é a personalidade que você imprime ao que faz. E por isso mesmo, por mais que contenham a mesma ideia, é praticamente impossível ver dois projetos idênticos. Já até falei disso aqui.

O objetivo do post, no entanto, não é retomar o assunto sobre a originalidade ou não dos projetos, mas ser a introdução de uma série de outros posts sobre DIY – do it yourself. Sei que tem muita gente que adora, mas nunca sabe por onde começar. Sim, porque há toda uma gama de instrumentos por trás do handmade. Ao mesmo tempo, não há nada mais antipático que projetos quase industrializados, do tipo: você vai precisar de uma serra elétrica, três metros de madeira de demolição, uma furadeira, uma pá de coveiro…

Hipérboles à parte, trago aqui o que acredito ser uma das ferramentas mais essenciais e democráticas para quem quer colocar a mão na massa e os pensamentos no lugar: a pistola de cola quente.

Esse brinquedinho é capaz de muitas coisas. Veja bem:

*Imagens reproduzidas (logo coloco as referências).

E ainda custa barato. Um revólverzinho desse sai em torno de 20 a 25 dilmas. Depois é só ir comprando a colinha.

Vai por mim, pode colocar na listinha! 😉

Novidades com abraço!

Hoje a moça aqui é só felicidade. Acaba de chegar da Espanha uma encomenda deliciosa que atende pelo nome de irmã. A parte de mim que é assim, mais racional, menos coração mole. Já dei uns apertos e umas risadas e guardei um pouco da saudade pra matar no fim de semana.

Enquanto isso, vamos às novidades aqui no blog.

Bem, a primeira delas: se você der um passeio pela barra direita, vai ver os títulos dos blogs que mais leio.

Todos os dias, quando chego ao trabalho, eu preciso de ao menos 15 minutinhos para cuidar das minhas coisas e me preparar para o dia. Essa preparação inclui a leitura de textos e a corrida de olho por imagens que vão me trazer a inspiração para todos os outros afazeres. Isso, pra mim, é tão fundamental quanto o café da manhã. Dia em que eu inicio o trabalho sem uma passadinha no reader não é a mesma coisa.

Quem tem o hábito de ler blogs sabe que nunca se clica nas mesmas páginas. Uma conduz à outra, que conduz à outra, que conduz à outra e assim por diante. Aí estão a maioria da minha lista, mas há inúmeros outros bacanas.

Outra novidade é que agora o blog tem uma fan page, hohoho! Tenho que confessar que eu morria de vergonha de aderir a outras redes porque, como nunca fui muito frequente nos posts, os acessos também não são lá aquela coisa que se diga “nossa, como é bombante o blog da Ana”, rs. Mas como a gente tem que sonhar grande, bora continuar o investimento rumo à perda da timidez virtual. Pra curtir, é só clicar no botãozinho ali do lado, ó.

E só pra concluir, já que hoje foi dia de reencontro e de abraço, uma das minhas pinturas + textos favoritos.O abraço - Pablo Picasso

“(…)Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

 Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.”         Martha Medeiros

Há alguns anos vivi em Ouro Preto

Meu primeiro contato com Ouro Preto aconteceu em outubro de 2007, bem diferente de como ocorre com a maioria dos mineiros. Não foi em excursão de escola, não foi em algum dos carnavais da vida nem em prova de vestibular, mas numa entrevista que culminaria em meu segundo emprego.

Frio na barriga, expectativa… Pela quarta vez, em um ano, eu me mudava de cidade. E pra uma cidade da qual nada conhecia. Por ironia, era a única da família que nunca tinha ido a Ouro Preto. Sorte que a madrecita, como em todos os momentos, estava comigo. Subimos e descemos ladeira até encontrar a senhorinha que me alugaria o quarto e sala da salvação, já mobiliado. Pronto, podia iniciar o trabalho!

E assim comecei a descobrir Ouro Preto.

Para os turistas que ali visitam, Ouro Preto é história, arquitetura, romance, poesia, restaurantes aconchegantes, comida mineira, namoradeiras na janela, artesanato em pedra sabão, pedras preciosas, Museu da Inconfidência, Praça Tiradentes, festivais diversos…

Para os estudantes que ali passam alguns anos, Ouro Preto é trote de república, social, rock, CAEM, festa do 12, alugar casa em carnaval,  chapação  e, claro, UFOP…

Para mim, entre tantas outras coisas, Ouro Preto é:

O primeiro pôr do sol inteiramente visto ao som de REM, caminhadas circulares pela praça da UFOP, sapatilhas antiderrapantes nas pedras traiçoeiras, blusa de lã bolorenta, almoço em PFs, sinos despertando aos domingos pela manhã, missa aos domingos à noite, trabalho no festival de inverno, petit gateau da fábrica de chocolate, happy hour no Biz & Biu, trabalhos da (1ª) pós-graduação, despertador às 5 da manhã aos sábados, intensivo de Rocky Balboa (6 filmes em uma semana), filmes da Set palavras, panqueca do Sótão, estandartes no local de trabalho, feijoada do Manjuba às quartas, frio durante a noite, caldo de feijão na Paula, melancolia em dias chuvosos…

A oportunidade de viver como “habitante” fez de Ouro Preto uma cidade diferente pra mim. Um lugar cenário da fase mais intensa e perturbadora ao longo desses 27. Foi em Ouro Preto que vivi o início e o fim da experiência de uma vida a dois. E por mais que não tenhamos controle sobre o futuro, é e sempre vai ser muito estranho pensar que, por querer ficar junto, eu indiquei meu então namorado para a vaga de trabalho com a qual ele perderia a vida um tempo mais tarde.

Estive na cidade um dia depois do acidente, para encontrar a amiga-irmã que tínhamos em comum e seguir para Muriaé, sua cidade natal. A cada passo, sentia como se uma faca de mil pontas perfurasse meu coração, sem exageros. E tinha prometido a mim que jamais voltaria àquele lugar.

Mas quem já viveu em Ouro Preto sabe que ali não se escolhe ir ou não, é a cidade que escolhe te chamar. É algo que não se explica, há tentáculos invisíveis que te puxam e te levam. E assim eu fui criando coragem, até decidir que eu precisava caminhar por aquelas ruas e tirar de mim tudo de ruim que eu carregava. Então, no último fim de semana, chamei uma amiga, peguei o carro e fui.

E foi reconfortante!

Eu pude me lembrar do quanto a cidade é linda e possui um jogo de luz naturalmente encantador. Em Ouro Preto não se precisa de filtros nem de câmeras ultra modernas. Qualquer ângulo, qualquer cantinho rende uma boa fotografia. As pessoas que por ali andam são despretensiosamente sofisticadas e não há local inapropriado para uma boa leitura, um bom café ou uma boa conversa. Um clima cosmopolita que não se encontra em outras cidades de Minas. Ao contrário da depressão previamente calculada por quem conhece minha história, senti a paz que eu tanto precisava. Não foi sem razão que a cidade havia me chamado.

Foi bom voltar e recordar que eu vivi ali, que fiz parte daquele lugar e que toda sua atmosfera também faz parte de quem eu sou hoje. Que, no final das contas, as coisas aconteceram como tinham que acontecer e remoer o que passou só serviria para mais sofrimento.

No último final de semana, reconciliei-me não com Ouro Preto, mas comigo mesma, ao aprender que quaisquer lembranças, sobretudo as boas, serão eternas em mim, não nas cidades.

Ouro Preto é bem mais que um retrato na parede. E já não dói. Que bom!

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